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  • Coletivo Por um Brasil Democrático CPBD

Reunião Coletivo Janeiro

Atualizado: 4 de Jun de 2019

No mês de janeiro nós do Coletivo discutimos sobre os motivos que levaram a vitória de Bolsonaro nas eleições para a presidência no Brasil, as ameaças de seu futuro governo aos direitos humanos e as possíveis construções para a resistência.

Janaína Maudonnet,doutora em Educação e integrante do coletivo, nos trouxe algumas reflexões sobre o assunto.


Janaina apresentou alguns fatores internos e externos que ajudam a explicar a vitória de Bolsonaro como:

Fatores externo como:

1. Fortalecimento de alianças entre o Brasil e outros países emergentes, que representava uma ameaça para o poder das nações ricas. 2. Reposicionamento dos EUA em relação à América Latina e contenção da China e dos BRICS.

3. Descoberta do pré-sal

4. Interesses na privatização de empresas estatais no Brasil, especialmente Petrobras, Eletrobrás.


Fatores Internos

1. Frustração com o sistema político.

Os brasileiros sentem que não são representados pelos atuais políticos (questão mundial). E apesar de Bolsonaro ter sido um deputado há 27 anos, sua campanha vendeu sua imagem como "outsider", não envolvido em corrupção (Mas o PP foi seu partido por mais de 10 anos e é o partido com mais acusações de corrupções). Bolsonaro, um ex-capitão do exército convertido em político de carreira, conseguiu transformar o sentimento anti-sistêmico resultante da crise econômica e política do Brasil em reação de direita. A insatisfação com a classe política corrupta do Brasil foi transformada em um sentimento generalizado de anti-esquerda, no qual o Partido dos Trabalhadores (PT) é responsável por todos os problemas do Brasil, desde o desemprego até altas taxas de criminalidade.


2. Articulação com forças religiosas conservadoras.

3.Articulação com elite brasileira predatória e ultra-neoliberal.

4. Brasil - histórico da sociedade violenta e escravista.

5. Fortalecimento da Bancada BBB no Congresso e no Senado (Bíblia, bala e carne bovina).

6. Impeachment de Dilma (golpe) em 2016. “Hardball”.Dilma sofreu impeachment por causa de uma manobra nas contas públicas, mas após o impeachment a mesma manobra foi considerada legal pelo congresso. De acordo com Steven Levitsky em "Como as democracias morrem", o impeachment é um "hardball" (jogo duro) em uma democracia e, se não houver fortes evidências, isso poderia ser uma causa de instituições fracas. Isso está acontecendo no Brasil. Embora a maioria dos brasileiros defenda a democracia, a maioria das pessoas não confia em nossas instituições democráticas.


Segundo Luiz Filgueiras e Graça Druck, ambos professores da Universidade Federal da Bahia, Bolsonaro venceu sob uma síntese contraditória - expressão de múltiplos interesses e valores de forças sociais e ideológicas que se uniram em antipetismo e contra a esquerda em geral, mas que não têm objectivos e objectivos de solidariedade expressos num programa político-económico claro e coerente. O governo é marcado por divisões internas.


O Governo Bolsonaro é marcado por um tripé: Ideológico, policial-juridico-militar, núcleo econômico. Estabelecer algumas das características de cada um deles e da necessidade de resistência articulada olhando para cada um deles. Sem esquecer, que os três são ideológicos.

Não é um governo consensuado, muitas disputas internas (Houve uma união de setores com demandas diferentes e por vezes divergentes, para vencer as eleições, mas uma vez vencidas, as disputas internas tendem a ficar mais evidentes).

Eliane Brum- Nem sempre esses grupos concordam sobre o que é melhor para o Brasil. É provável que em alguns pontos possam discordar radicalmente. Como então o garoto Bolsonaro vai lidar com a disputa de gente grande?


- É preciso nomear o que significa o governo Bolsonaro – De extrema direita e antidemocrático. Não dá para minimizar como tem feito a mídia de massa. Pablo Ortellado:O problema dessas posições não é a sua heterodoxia, mas seu conteúdo antidemocrático. Essas e outras posições de Bolsonaro e sua equipe colocam em xeque valores fundamentais da democracia liberal como a observância dos direitos humanos, o respeito à diversidade, a liberdade de expressão e de imprensa e o multilateralismo. A grande votação de Bolsonaro deu força e enraizamento social a esse projeto de redefinir o espectro político e normalizar o extremismo de direita. Ele está tentando criar força gravitacional para fazer todo o mundo político girar em torno das novas definições que propõe.Por isso, faz parte da defesa dos valores democráticos fundamentais nomear e marcar o estranhamento com a agenda política de Bolsonaro. Seus ataques à imprensa, seu desprezo pelos direitos humanos, sua incapacidade de respeitar as diferenças e sua abordagem truculenta e autoritária precisam ser nomeados e colocados no devido lugar. 


- É preciso construir uma resistência articulada entre os diferentes movimentos sociais, com alguns setores do judiciário.


Acesse a apresentação disponibilizada


Abaixo estão as imagens do encontro







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